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SEMANAS DE MODA | COLEÇÕES
26 out 16

LAB NA PASSARELA: fez bonito causou questionamentos.

Vamos cair na real? Chega de preconceito, seja ele em que categoria for. Parabéns a LAB, fez bonito na passarela e causou questionamentos.

Com a palavra, o próprio  Emicida:

“Viajando em uma parada de humanidade: como você cria uma atmosfera que convida as pessoas a fazerem parte daquilo? Estamos num momento em que falamos de combater o machismo, o racismo, a homofobia, a transfobia e vários outros temas; mas essa luta é pra gente ter uma atmosfera em que todas as pessoas se sintam incluídas, parte disso, fortes pra ter voz.

Tem um cara chamado Mario Lucio que foi ministro da cultura de Cabo Verde. Ele falou uma parada muito incrível chamada lugar de memória, que é uma coisa que você constrói no coletivo. Num país misto, plural como o Brasil, estamos trazendo dois elementos fortes, muito conhecidos, que são a imigração japonesa e a africana. Essa última aconteceu de um jeito torto por causa da escravidão. Isso se mistura: o Brasil é o país que tem mais japoneses fora do Japão e mais africanos fora da África. Onde essas coisas podem se encontrar e onde essa homenagem pode acontecer? No Brasil. O personagem central da nossa coleção, que é o Yasuke, é um cara que foi sequestrado na África durante a escravidão e apareceu no Japão levado por um jesuíta em 1579 – essa história é muito velha, e não é uma lenda, é um fato. Você tem registro na Itália, ele serviu num clã de samurais.

E eu passei a minha adolescência lendo mangá. Lia tanto mangá que comecei a ficar puto porque não sabia falar japonês. Comecei a entrar numas, pesquisar umas palavras, com 16 anos. Chegou uma fase que eu tava lendo tanto que comecei a entender um monte de coisa, só que depois, por não praticar, eu fui esquecendo. Mas sempre fui muito próximo, “Akira”, Studio Ghibli, sou viciado em anime. De uma certa maneira, hoje estou agradecendo a minhaancestralidade africana e dizendo que tenho muito orgulho, e de certa maneira estou dizendo pros japoneses que sem eles também não estaria aqui hoje, que foi foda o que eles fizeram por mim sem saber.

Mas o que o Mario Lucio diz, de lugar de memória, é essa coisa que eu e você temos em comum. Um elemento que você reconhece, eu reconheço e aquilo conversa com nós dois sobre o nosso passado. A gente vive um tempo de individualidade, todo mundo tá preso no celular e reflete muito pouco sobre o que aconteceu antes. Todo mundo quer saber o que vai acontecer amanhã, mas a gente constrói essa memória do coletivo aqui.”

DESFILE DA LAB

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Crédito da entrevista do Emícida: Site da Lilian Pacce

Andréia Novais
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